23 novembro 2009

Banco Português de Germoplasma Vegetal

O texto que se segue gerou alguns equívocos. Mas, atendendo a que não há publicidade má e que só uma leitura (extremamente) apressada poderia deixar dúvidas, eles terão sido rapidamente sanados e o Banco de Germoplasma passou a ser conhecido por um público muito mais vasto.

«Pitanga e o Banco de Germoplasma» (Eduardo Jorge Madureira)

"A generalidade dos minhotos quase certamente ignorará que o Banco Português de Germoplasma Vegetal se localiza no concelho de Braga. E mais certamente ainda não fará ideia do que é e para que serve um tal Banco. A ajuda de algum biólogo ou de algum técnico do Ministério da Agricultura revela-se pois preciosa para se saber o básico: um Banco de Germoplasma é o sítio onde se guardam os recursos genéticos de diversas espécies e que se preserva germoplasma armazenando sementes.

A existência de uma possível relação entre o Banco de Germoplasma e a primeira tentativa de assassinato de Pitanga, barbeiro a domicílio, foi admitida por Armando. "Que asneira é que tu fizeste?", quis saber Armando. "Nenhuma! A asneira foi ter descoberto milho com cinco metros de altura!, respondeu Pitanga. A conversa telefónica prosseguiu e Armando colocou duas hipóteses: "Pode ser apenas um gang. Mas também pode haver uma multinacional por trás". Pitanga, que tinha sido encerrado dentro de um caixão onde morreria por asfixia se não tivesse aparecido um tipo conhecido como "o ligeiro" a libertá-lo, espantou-se: "Mas, em Braga? Uma funerária a abarrotar de caixões com milho geneticamente modificado?...". "Pode não ser coincidência, Pitanga. O Banco Português de Germoplasma Vegetal fica em Braga. Em Merelim, mais precisamente", retorquiu Armando.

Pitanga desligou o telemóvel porque, entretanto, se aproximava uma viatura que transportava a gente que o tentaria matar de novo. O fim da conversa evitou que Armando soubesse o que o barbeiro, que foi amigo e colega de António Variações, ficou a pensar sobre o assunto. E o barbeiro ficou a pensar em todas as hipóteses. "Chantagem, conivência, contaminação, contrabando, roubo, sei lá! As sementes são um negócio fabuloso e a concorrência é feroz", confidenciou Pitanga ao "ligeiro" que, desde há algum tempo, o acompanhava. Pitanga julgava que "o ligeiro" supunha que o milho com cinco metros de altura era obra de extraterrestres. Por isso, surpreendeu-se quando o ouviu dizer: "Não há extraterrestres. Há apenas este prostíbulo global: a ganância de uns e a resignação do rebanho". "O pessoal quer comer transgénicos? Que coma!", atirou, irritado, "o ligeiro".

A plantação de milho transgénico é apenas um dos cenários da aventura de Pitanga. Quem quiser conhecer a totalidade de uma excelente história minhota em banda desenhada, recém-editada, precisa apenas de adquirir numa livraria "A rapariga do poço da morte" (Lisboa: Caminho, 2003), da autoria de Arlindo Fagundes. O álbum, que tem uma surpresa que aqui não é conveniente quebrar, merece um sério reparo: o Pitanga não devia circular tão velozmente pelas ruas de Braga."


PÚBLICO. 6 Maio 2003

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